sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

O Segredo do aprendizado do Prof. Pier

Aqui um trecho de uma de suas palestras do Prof. Pier:

Para o professor Pier, famoso educador de renome internacional, e que palestrou ontem aqui na Universidade do Oeste Paulista para mais de 2.000 pessoas, a resposta é mais simples do que se imagina.
O problema do Brasil é que nós temos milhões de alunos, mas pouquíssimos estudantes”.
Mas Diego, eu pensei que alunos e estudantes fossem a mesma coisa! Caro leitor, lamento dizer, mas você está enganado. Aliás, nas palavras do prof. Pier, essas duas palavras se opõem totalmente.
Aluno é aquela pessoa que assiste aulas, em um processo de aprendizado passivo. Escuta o que o professor tem a dizer, anota o que acha que tem que anotar, mas assim que acaba a aula, um abraço e até amanha!
Já o estudante é aquele que estuda após o período de aula, escrevendo as principais ideias que aprendeu naquele mesmo dia, ou seja, o processo de aprendizado é totalmente ativo.
Assistir aulas não é estudar. Estudar em grupo não é estudar. Ler não é estudar. Fazer grifos não é estudar. Escrever textos no computador não é estudar. Então o que seria estudar?
Para o prof. Pier, o estudo eficaz deve ser feito individualmente e de forma ESCRITA (várias vezes foi frisado que escrever é a melhor forma de estudar).
Após essa explanação, o educador ainda mostrou os baixíssimos índices que o Brasil ocupa no ranking mundial do programa internacional de avaliação PISA, o que causou o espanto (será?) de todos presentes.
Para finalizar, o palestrante ainda expos os três principais equívocos que o estudante brasileiro comete com frequência, são eles:
1 – Não sabe se comportar: a atual geração é conhecida como uma geração de “Drogados Virtuais”, onde o uso compulsivo do celular está provocando uma expressiva queda de atenção, de QI, e de inúmeras outras variáveis, o que vem causando uma série de consequências no curto e no longo prazo. O engraçado é que enquanto ele falava isso, várias pessoas estavam mexendo no celular!
2 – Não ler como forma de lazer: a média nacional de leitura de livros é irrisória, a maioria não consegue ler nem 3 livros por ano. A leitura ainda é vista por nós como uma obrigação. Só lemos o que a escola ou a faculdade nos pede, e para por aí.
3 – Estudar para a prova: o material estudado em véspera de prova fica guardado em nosso cérebro apenas até o dia da avaliação, passado esse período, tudo o que estudamos com o intuito de tirar uma boa nota é cruelmente esquecido.
E para quem frequenta aulas a noite, como estudar após a Faculdade? (Situação na qual a vasta maioria presente se encontrava)
Para o palestrante, mesmo quem trabalha no período da manhã e só tem o período noturno para frequentar as aulas, o estudo individual ainda deve ser feito quando o aluno chegar a sua casa, antes de dormir.
A dica final dada para essas pessoas foi a seguinte:
“O segredo da inteligência é saber como ficar um pouquinho mais inteligentes todos os dias. Meia hora por dia pode não ser o suficiente, mas é melhor do que nada”.

E lembre-se: Aula dada, Aula estudada, HOJE!

Via : Jovem administrador

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

4 poemas de Adélia Prado que deveríamos ler e reler

Casamento
Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como “este foi difícil”
“prateou no ar dando rabanadas”
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.
Exausto
Eu quero uma licença de dormir,
perdão pra descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vida
foi o sono profundo das espécies,
a graça de um estado.
Semente.
Muito mais que raízes.
Poema Começado no Fim
Um corpo quer outro corpo.
Uma alma quer outra alma e seu corpo.
Este excesso de realidade me confunde.
Jonathan falando:
parece que estou num filme.
Se eu lhe dissesse você é estúpido
ele diria sou mesmo.
Se ele dissesse vamos comigo ao inferno passear
eu iria.
As casas baixas, as pessoas pobres,
e o sol da tarde,
imaginai o que era o sol da tarde
sobre a nossa fragilidade.
Vinha com Jonathan
pela rua mais torta da cidade.
O Caminho do Céu.
Pranto Para Comover Jonathan
Os diamantes são indestrutíveis?
Mais é meu amor.
O mar é imenso?
Meu amor é maior,
mais belo sem ornamentos
do que um campo de flores.
Mais triste do que a morte,
mais desesperançado
do que a onda batendo no rochedo,
mais tenaz que o rochedo.
Ama e nem sabe mais o que ama.
Adélia Prado

Os fantásticos livros voadores do Sr. Morris Lessmore



A história é simples. O solitário Modesto Máximo está na varanda escrevendo suas memórias. Vem um furacão. Ele perde tudo, menos as memórias. No furacão, uma moça voadora joga um livro sobre ele. Esse livro guia Modesto Máximo até uma biblioteca. Ele se torna dono da biblioteca. Cuida dos livros. Vai escrevendo o seu. Quando termina de escrever suas memórias, ele também adquire a capacidade de voar. Sai voando. Nesse momento, chega uma menininha. O livro de Modesto Máximo acaba no colo da menininha. Vai começar tudo de novo. A história é simples. O que não é tão simples é a paixão pelos livros que a história contém. E não é simples porque é sutil. Passa pela combinação do texto, em frases curtas e diretas, com os desenhos cheios de detalhes.
 assista esse magnífico curta no link:https://www.youtube.com/watch?v=wDkfhwRlcZw

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Arrume o relógio

Perguntou-me um senhor se eu sabia onde havia um relojoeiro. Disse-lhe que sabia e expliquei como chegar até ele. Agradeceu e explicou-me que, ultimamente, ninguém se preocupa em arrumar as coisas. Jogam-nas no lixo e querem novidade. O relógio que precisava de conserto era do filho. O filho queria comprar outro, e ele disse que não. "Arrume o relógio, meu filho!”.
Ouvi aquele senhor que parecia precisar de algum ouvinte. Como estava atento, ele colocou-se a falar de outros temas. Reclamava, com elegância, dos que não gostam de arrumar as coisas. "Antigamente, havia um valor afetivo em cada bem que possuíamos. Guardávamos objetos dos nossos avós, dos nossos pais com algum respeito."
Fez gestos agradecidos pela atenção e seguiu, em passos vagarosos, rumo ao relojoeiro. Afinal, tinha um objetivo naquela manhã, quase um compromisso, arrumar um relógio.
Saí da despretensiosa prosa pensando na sua calma e no seu comedimento ao criticar a sociedade dos descartáveis em que vivemos hoje.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Cartas de Vida

Barbara Bush, 1994
Barbara Pierce Bush é a esposa do ex-presidente dos EUA George H. W. Bush. Foi primeira-dama dos Estados Unidos de 1989 a 1993; é a mãe do ex-presidente dos EUA George W. Bush e do ex governador da Flórida, Jeb Bush. Em 1994 o cão preferido de seu marido morreu de câncer, deixando a família inconsolável. Em uma noite de insônia, Barbara se viu pensando em aprendizados proporcionados pela vida (alguns deles obtidos "da forma mais dura") e que gostaria de compartilhar com seus filhos. Escreveu uma carta, que nunca enviou a ninguém mas posteriormente trouxe a público:
"O bom e o mau
Tente -- e eu sei como é difícil -- ver o lado bom das pessoas, e não o mau. Lembro-me de vários anos atrás, quando perdi muito tempo me ressentindo com minha mãe. Sofri com isso, porque tínhamos uma "química". Eu a amava muito, mas fui magoada por ela. (E tenho certeza de que a magoei muito também).  

Então olhe para o lado bom dos outros. Esqueça o outro lado.
Graça Walker me disse uma vez: "Pense em todas as coisas lindas sobre sua mãe... Todas as coisas que você ama e lhe dão orgulho dela". Havia tantas que não dava para contar. Acho que eu esperava que ela fosse perfeita. Ninguém é perfeito. Certamente eu não sou. Então olhe para o lado bom dos outros. Esqueça o outro lado.
Clara Barton, fundadora e presidente da Cruz Vermelha, uma vez foi lembrada de uma desfeita que um amigo lhe fizera anos antes. "Você não se lembra?" o amigo perguntou. "Não", respondeu firmemente Clara. "Eu claramente me lembro de ter esquecido isso". Não é um mau conselho. Aceite uma lição de seu pai. Quando eu o lembro de que alguém fez algo odioso, diz: "Não é melhor fazer um amigo do que um inimigo?" Ele está certo, também.
Não fale de dinheiro. . . tendo-o ou não. É embaraçoso para os outros e certamente vulgar.
Não compre algo que você não pode pagar. Você não precisa disso.
Se você realmente precisar de algo e não puder pagar. . . pelo amor de Deus, ligue para casa.
Não tente viver em função do que pensam seus vizinhos. Eles não vão olhar com desprezo se você não tiver dois aparelhos de televisão. Eles vão olhar você com desprezo se comprar coisas que não pode pagar, e eles vão ficar sabendo! Eles estão interessados ​​apenas nas coisas deles, e não nas suas.
Certifique-se de que você sabe retribuir. Se você jantar na casa delas ou elas o levam para jantar fora faça o mesmo em troca, mas lembre-se de que você não precisa fazer isso do jeito mais caro. Você pode fazer o melhor espaguete do mundo. As pessoas podem adorar vir a sua casa. Planeje com antecedência e tudo vai ser divertido.
Valorize seus amigos. Eles são seu ativo mais valioso.
Lembre-se, lealdade é uma rua de mão dupla. Ela sobe e desce. Então, seja leal às pessoas que são leais a você. Seu pai é o melhor exemplo que conheço de fidelidade, nos dois sentidos da palavra.
Ame seus filhos. Não preciso dizer isso. Tenho os melhores filhos que alguém já teve. Sei que você vai ter a mesma sorte. Seus filhos são incríveis. Papai e eu os amamos mais que a própria vida. Acho que você sabe disso no que se refer ao seu pai. Comigo é a mesma coisa.
Lembre-se que Robert Fulghum diz: "Não se preocupe que seus filhos nunca o ouvem; preocupe-se com o fato de que eles estão sempre observando você."
Pelo amor de Deus, aproveite a vida. Não lamente pelo que poderia ter sido ou pelo que não é como deveria. Aproveite ao máximo o que você tem agora. Com toda honestidade, você realmente só tem duas escolhas; você pode gostar do que você faz ou pode não gostar. Eu escolhi gostar e como tem sido divertido! A outra opção não é divertida e as pessoas não querem estar perto de um resmungão. Nós podemos sempre encontrar pessoas que estão em pior situação e para isso não temos que olhar muito longe! Ajude-as e esqueça de si mesmo!
Ele virá até você, se você pedir.
Eu certamente diria para, acima de tudo, buscar a Deus. Ele virá até você, se você pedir. Não há absolutamente nada a perder. Por favor, leve os filhos à igreja e dê um bom exemplo para eles. Nós, seu pai e eu, tentamos ter uma vida cristã na medida de nossas possibilidades. Certamente não somos perfeitos. Talvez você consiga ser! Continue tentando."

O que você faria se pudesse mandar hoje uma carta destinada a você mesmo no passado?

O que você faria se pudesse mandar hoje uma carta destinada a você mesmo no passado? Esta questão foi proposta a alguns artistas em 2009, para compor um livro com o objetivo de arrecadar fundos para a Elton John AIDS Foundation. A obra recebeu o nome de Dear Me: A Letter to My Sixteen-Year-Old Self; reuniu entre outras as cartas de Emma Thompson, Danny Wallace, Patsy Kensit e do próprio Elton John.  A mensagem escrita por Debbie Harry, vocalista e líder da banda new wave Blondie, foi a seguinte:

Cara Debbie, Moon, Debeel, ou Deb,
Só porque você tem um monte de nomes diferentes, e talvez sinta que existem várias de você, não fique confusa. Dê algum tempo para si mesma e todas as idéias e as possibilidades que estes nomes evocam se tornarão claras. As peças do quebra-cabeças vão se revelar; tudo que você tem a fazer é descobrir o que a faz mais feliz e isso muitas vezes vai ser a parte mais fácil. É uma coisa notável por si mesma. Porque o mais óbvio é muitas vezes a melhor escolha e pode levar a algo maravilhoso e gratificante.
(...) saiba que terá a satisfação duradoura, pelo resto da vida, de ter dado aquele salto.
Em palavras mais simples, vá em frente, menina. "Nada a temer senão o próprio medo" é um ditado antigo, mas se ele ajuda a dar um salto adiante e se é a única coisa que você tem, saiba que haverá a satisfação duradoura, pelo resto da vida, de ter dado aquele salto.
Possuir a coragem de suas convicções e a força dentro de si para fazer qualquer coisa será seu bem mais precioso e garantirá seu futuro mesmo quando as coisas ficarem difíceis. Elas vão ficar difíceis e vão ficar fáceis; e, quando você olhar para trás, sempre vai se lembrar melhor daqueles momentos que foram os mais duros.
Sonhos tornam-se realidade. Continue sonhando,
Com amor, D."

De Pai para Filha ( Uma carta sobre sua Vida )

Scott Fitzgerald, 1933
Scott Fitzgerald foi o conhecido autor dos livros O Grande Gatsby e Suave É a Noite. Ele e sua esposa Zelda viveram em Paris nos anos 20, época de grande efervescência intelectual e diversão. Tiveram uma filha, chamada Frances; em 1933 ela tinha 11 anos e recebeu do pai uma carta com conselhos sobre questões com que deveria ou não se preocupar ao longo de sua vida.

"Coisas com que se preocupar:
Preocupe-se com coragem
Preocupe-se com limpeza
Preocupe-se com eficiência
Preocupe-se com equitação
Preocupe-se com …

 

Coisas com que não se preocupar:
Não se preocupe com a opinião dos outros
Não se preocupe com bonecas
Não se preocupe com o passado
Não se preocupe com o futuro
Não se preocupe em crescer
Não se preocupe com quem está à sua frente
Não se preocupe com o sucesso
Não se preocupe com o fracasso, a menos que ele aconteça por sua própria culpa
Não se preocupe com mosquitos
Não se preocupe com moscas
Não se preocupe com insetos em geral
Não se preocupe com os pais
Não se preocupe com os meninos
Não se preocupe com decepções
Não se preocupe com prazeres
Não se preocupe com satisfações

Coisas para pensar:
Qual é realmente o meu objetivo?
Quão boa eu sou em comparação aos meus contemporâneos com relação a:
(a) Estudos
(b) Eu realmente entendo as pessoas e sou capaz de me relacionar com elas?
(c) Estou tentando transformar meu corpo num instrumento útil ou o estou negligenciando?

Com muito amor,
Papai